Dançam as flores ao vento.
Gritam as feridas deixadas pela amargura.
O odor a sangue percorre as estradas perdidas do olhar que vagueia,
Fragrância doce de lástima...
O punhal rompe a carne seca.
O sono eterno chega com o embalar do choro doce das carpideiras.
.
O circo exalta cores vibrantes,
Berrantes!
O palhaço entristecido pinta um sorriso na cara.
.
A voz afónica é apregoada pelos ventos.
.
A prostituta veste-se de branco,
A noiva de preto.
.
As ovelhas minhas irmãs que comem do meu pasto
Cantam comigo alegres canções do fado.
.
A minha mão controla o meu coração.
Nada disto é meu, nada me compõem.
Sou um ser vazio de sentimentos.
Porque escrevo?
Não sei,
Tudo no mundo é uma ironia,
Não sou mais que ninguém,
Uma mera jovial que rasteja pelas lajes da perdição,
Lambendo o sabor amargo da satisfação supérflua.
Porque sorrio?
Porque sou uma infeliz frustrada que saboreia a sua melancolia.
Porque vivo?
Gosto do engano autónomo,
A burrice pessoal,
Que me dá a mão quando tropeço nos obstáculos concretos,
Levando-me no colo ao por do sol azul.
Não estou só,
Os traidores da vida jamais abandonam.
Um aceno perdido no enublado brilhante dita o meu fim feliz,
O nojento apodrecer da alma termina,
Eu rejuvenesço no meu cadáver.
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