quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ironia Deduzida

Dançam as flores ao vento.

Gritam as feridas deixadas pela amargura.

O odor a sangue percorre as estradas perdidas do olhar que vagueia,

Fragrância doce de lástima...

O punhal rompe a carne seca.

O sono eterno chega com o embalar do choro doce das carpideiras.

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O circo exalta cores vibrantes,

Berrantes!

O palhaço entristecido pinta um sorriso na cara.

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A voz afónica é apregoada pelos ventos.

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A prostituta veste-se de branco,

A noiva de preto.

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As ovelhas minhas irmãs que comem do meu pasto

Cantam comigo alegres canções do fado.

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A minha mão controla o meu coração.

Nada disto é meu, nada me compõem.

Sou um ser vazio de sentimentos.

Porque escrevo?

Não sei,

Tudo no mundo é uma ironia,

Não sou mais que ninguém,

Uma mera jovial que rasteja pelas lajes da perdição,

Lambendo o sabor amargo da satisfação supérflua.

Porque sorrio?

Porque sou uma infeliz frustrada que saboreia a sua melancolia.

Porque vivo?

Gosto do engano autónomo,

A burrice pessoal,

Que me dá a mão quando tropeço nos obstáculos concretos,

Levando-me no colo ao por do sol azul.

Não estou só,

Os traidores da vida jamais abandonam.

Um aceno perdido no enublado brilhante dita o meu fim feliz,

O nojento apodrecer da alma termina,

Eu rejuvenesço no meu cadáver.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Início da trágica loucura de um indivíduo comum

Boas.
Perguntam-se alguns, outros provavelmente têm as suas pseudo-rotinas demasiado ocupadas para tal exercício pesado da mente, o que vai na cabeça do ser criar um blogue, que torna pensamentos e textos inspirados na pessoa intima que temos dentro de cada um algo disponível para o prazer/desespero de quem passeia pelos vastos campos da web. Sinceramente, acho que provém de um devaneio, um mero "porque não?" que se instala.
Assim me justifico. Se me for permitido, espero que estes pequenos minutos que gastam nestes esboços vos tragam algo mais, seja uma crítica de qualquer teor. Mais vale opinião do que silêncio.